Barata das Neves
Il faut ne pas les confondre...




Há dias fui à Feira do Livro. Fui naquela de comprar uns livritos de sociologia e uma ou outra obra literária que me fizesse reaviver o entusiasmo que outrora tive pela leitura de obras de ficção e que últimamente se tem refreado um pouco. Mas ao invés vim de lá com uma dúvida inquietante. Nada que me tire o sono, mas ainda assim inquietante e que se resume a uma simples formulação sob a forma de pergunta: quando eu vejo o José Barata Moura, escritor, filósofo, cantor e compositor de hinos infantis como "Fungagá da Bicharada" e "Joana Come a Papa" e, ainda num passado recente, reitor da Universidade de Lisboa, como é que eu sei se é ele ou se é o João César das Neves, economista e católico (combinação explosiva que redunda no imperativo divino "multiplicai-vos"), professor da Universidade Católica e retórico da proibição do aborto e de uma Europa sem contraceptivos? E vice-versa.
Pois, eu vi apenas um deles por duas vezes na feira, primeiro numa foto num expositor e depois ao vivo e não é que em ambas as ocasiões fiquei na dúvida? Seria o senhor do "Fungagá da Bicharada", que nos preenchia as tardes de Sábado com canções que nos incitavam a curvar perante uma pratada de Nestum, ou seria o abominável César das Neves, mais preocupado com a crise profunda de valores da família e da procriação (e que, já agora, afecta sobretudo países economicamente atrasados como os Escandinavos)? Se calhar está tudo na minha cabeça. Eles até são de gerações diferentes. Mas por uma vez esqueci o Sócrates e o Blair. Nunca a confusão entre esquerda e direita foi tão grande. Socorro, preciso de ler um livro!


0 Comments:
Post a Comment
<< Home