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Em busca de alcachofras. A blog by Pedro Nunes

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I was having a tuna sandwich when something went wrong and all of a sudden I was sucked into space. I found myself in the distant galaxy of Valpolicela (no relation) and am using this device to send signals to my earthbound comrades. Because I am confused I often pretend to be Spiff the intergalactic explorer extraordinaire. When I am bored I collect artichokes, therefore the name of this blog.

Saturday, May 05, 2007

Achados arqueológicos

Recuperei recentemente dezenas de discos em vinilo da minha velha casa em Alvalade. Discos que durante muitos anos constituíram a minha discoteca e que foram uma parte importante do meu crescimento - e certamente na formação do meu gosto pessoal. Muitos foram sendo actualizados para CD, estando alguns ainda hoje entre os meus favoritos. Alguns foram vendidos na Feira da Ladra. Mas parte do meu prazer em resgatar estes artefactos está na possibilidade de reouvir os outros. Os que não foram actualizados para CD nem vendidos na feira. E com a ajuda de um exemplar recentemente adquirido dessa preciosidade cada vez mais rara chamada gira-discos, as espiras voltaram a girar e a poeira estática que nelas se acumulou voltou a ouvir-se...

Os Supertramp eram o supra-sumo da pop sinfónica de fins dos anos 70, quando o género "progressivo" entrou em decadência artística mas mantinha os seus subprodutos comerciais. Eram a banda favorita do nosso amigo indesejado e, de acordo com o jornal o Sete, de metade da equipa do FCP campeã da Europa em 1987 (ou seriam os Barclay James Harvest?). Eram, em simultâneo, a face mais comercialona do rock mais artístico e a banda mainstream com alguma complexidade e profundidade. Um duplo estatuto que era sucesso pela certa mas que também criou muitos detractores. Ouvindo novamente o seu best-seller, Breakfast in America, descubro que nem tudo é assim tão mau. Há "Gone Hollywood", "The Logical Song" e "Take the Long Way Home", sumamente engraçadas e uma óptima canção ("Just Another Nervous Wreck") bem a meio da segunda face, entre os execráveis "Lord Is It Mine" e "Casual Conversation". Pergunta-chave: que é feito do amigo indesejável?
Os Dire Straits são a banda de que toda a gente da minha geração gostou durante um certo período, tendo depois superado essa fase. Necessários como uma das fases do crescimento propostas por Piaget. Mas se ainda hoje falam com excessivo entusiasmo neles (ex: "ai as malhas de guitarra do Knopfler, aquilo é que era música a sério!") é porque algo correu mal. Reouvindo toda a discografia até Brothers in Arms, bem preservada e nunca suficientemente má para dela me ter desfeito, destaco um bom disco: Communiqué. Porque nele, o Mark Knopfler explora uma certa veia Dylaniana na escrita de canções e os DS mantém aquela pureza de som do primeiro álbum, que depois se foi perdendo - até à corrupção absoluta em Brothers in Arms. E por uma vez esqueça-se as malhas de guitarra do Mark. Oiça-se as canções e o charme discreto mas fundamental da bateria do Pick Withers. Pergunta-chave: o que é que aconteceu ao mano David?
É fácil odiar Mike Oldfield a partir do momento em que ele se declara apoiante de Margaret Thatcher e, por essa mesma altura, vende o seu enorme talento ao capitalismo, passando a assinar canções pop orelhudas que só poderiam competir com os Abba no festival Eurovisão da Canção. Mas Five Miles Out é uma excepção. Tem "Taurus II" que ocupa uma face do disco e que se desdobra em vários registos, da folk Irlandesa (está lá o gajo dos Chieftains que toca Uilean Pipes) ao hard-rock, com um dinamismo francamente envolvente por culpa do excelente naipe de músicos com quem Oldfield andava em digressão há alguns anos. E tem as duas melhores confecções pop de Oldfield: "Family Man" e a faixa-título. Pergunta-chave: será Ommadawn (1975) o primeiro disco de world-music?
Os Genesis nunca estiveram entre os meus favoritos e sempre achei que os discos com o Peter Gabriel, embora conceptualmente admiráveis, eram difíceis de digerir. Mas o primeiro sem Gabriel e com Phil Collins a cantar do lugar de baterista, A Trick of the Tail, é bom. Os lânguidos, pastorais e vagamente alucinados "Entangled" e "Ripples" são as melhores faixas. Já se pressente aqui e ali aquela lamechice do Phil - que culminou na monumental vaia durante a sua actuação a solo no Live Aid - mas tudo ainda dentro de limites toleráveis. E a musicalidade da banda em certas faixas (Dancing on a Volcano, Mad Man Moon) é um must. Pergunta-chave: alguém tentou demover o Phil Collins da ideia de sair de detrás da bateria?
Pouco tempo depois deste disco, Steve Hackett abandonou os Genesis e embarcou numa carreira a solo. Highly Strung, de 1982, é um disco típico de um músico progressivo a deixar-se levar pelos ventos da altura mas, ainda assim, o resultado é razoável. Sumamente bons e orelhudos, Camino Royale e Cell 151, um som descomunal de bateria (tocada pelo gajo do Marillion) e algumas inflexões jazz nos temas instrumentais tornam-no um disco agradável de se ouvir. Pergunta-chave: fez bem em mandar os Genesis às urtigas?

Houve uma altura em que estes exemplares representavam para mim o melhor da pop. Hoje, entre a nostalgia e a análise distanciada, reconheço que não o eram, mas que também não seriam a pop a bater no fundo. Deixemo-los na prateleira até ao próximo "prog revival"!

5 Comments:

Blogger bruno cunha said...

Ena, desenterraste alguns dos meus ódios de estimação musicais (Sepertramp e Dire Straits, mais os 1os do que os 2os). Quanto aos Genesis confesso que fui fan deles mas depois da partida do Peter Gabriel a banda foi 1 verdadeiro Titanic...

11:55 AM  
Blogger Nunes said...

É da praxe odiar Supertramp. Acho que tem muito a ver com a voz do Roger Hodgson (o quinto Bee Gee, separado dos irmãos à nascença). Mas não acho que o Breakfast seja um mau disco.
Os Dire Straits têm os seus méritos, onde incluo menos os dotes de guitarrista do MK e mais as boas canções e um bom som de conjunto nos três primeiros álbuns.
Os Genesis nunca me cativaram muito. Gosto de algumas coisas com o PG e do disco que desenterrei.
Mas prefiro, de muito longe, o PG a solo.

6:00 PM  
Blogger Nuno said...

LOL!
dos Supertramp, lembro-me de adorar o álbum «Crime of the Century», em meados dos 80s. Ouvi-o recentemente e continuo a achar um muito bom disco, no seu estilo. Quanto aos Straits, foi um bocadinho mais tarde, naquela fase do Brothers in arms, mas hoje posso dizer com orgulho que não tenho nada deles.

10:42 AM  
Blogger Nunes said...

Esqueci-me dos Marillion nesta viagem ao passado - o que terá acontecido à minha cópia de Misplaced Childhood? Na altura gostava bastante do disco. Prog-rock orelhudo e o Fish sempre tinha mais carisma do que os tipos dos Supertramp.

6:26 PM  
Anonymous Anonymous said...

O que um gira-discos novo faz a um gajo! Curiosamente foste desenterrar albuns que, teoricamente, seriam daqueles primeiros candidatos a beneficiar do som "esterilizado" do cd – quem não se lembra de ver demonstrações dos novíssimos leitores de cd com o Brothers in Arms a girar?

De resto ainda hoje acho que estes 5 albuns variam entre o muito bom e o bastante razoável.

6:49 PM  

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