Artychoking

Em busca de alcachofras. A blog by Pedro Nunes

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I was having a tuna sandwich when something went wrong and all of a sudden I was sucked into space. I found myself in the distant galaxy of Valpolicela (no relation) and am using this device to send signals to my earthbound comrades. Because I am confused I often pretend to be Spiff the intergalactic explorer extraordinaire. When I am bored I collect artichokes, therefore the name of this blog.

Saturday, July 28, 2007

Repensando os objectos II: a Bjork tornou-se numa seca

Não há génio que perdure no cada vez mais errático universo da pop. Até há dois álbuns atrás a Bjork era intocável. Cada novo disco era tão bom quanto o anterior e acrescentava sempre algo de novo ao universo delirante da Islandesa excêntrica. E a sua voz guiava sempre cada tema em vôos vertiginosos, capazes de desafiar a gravidade sugerida pelas melodias.
No penúltimo álbum já havia sinais, ainda assim dissimulados, de algum esgotamento com um disco arrojado mas semi-falhado. No novo disco a voz é a mesma, o jeito de cantar também e a música é um recapitular de álbuns passados, embora com algum ênfase nos arranjos rarefeitos e vagamente Budistas. Mas tudo soa tão desinspirado e tão "Bjork by numbers" que até a voz começa a pesar como chumbo prendendo as músicas num colete de forças. Até o primeiro tema cantado a meias com o cocó do Anthony soa algo forçado e não foge ao esterótipo da colaboração de circunstância. Uma forma de anteciparmos o desastre-Bjork é olhando para o "artwork", de duvidosíssimo gosto (com cores berrantes, antes a Floribela) que prenuncia a auto-indulgência do disco. Outra é contar o número de vezes que ouvimos a Bjork roubar um naco de oxigénio com as suas enfáticas inspirações bucais, sempre bem destacadas na mistura final - é a expressividade, senhores.
Se calhar estou a ser injusto face à impossibilidade de se ser sempre genial. Mas aquele tema "de intervenção" lá para o fim (letra: "declare independence/ don't let them do that to you) lembra-me que a fronteira entre o génio e a irrelevância é muito ténue e deixou-me com vontade de resgatar este tema de má memória, colheita de 84.

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