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Em busca de alcachofras. A blog by Pedro Nunes

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Location: Lisbon, Portugal

I was having a tuna sandwich when something went wrong and all of a sudden I was sucked into space. I found myself in the distant galaxy of Valpolicela (no relation) and am using this device to send signals to my earthbound comrades. Because I am confused I often pretend to be Spiff the intergalactic explorer extraordinaire. When I am bored I collect artichokes, therefore the name of this blog.

Saturday, September 16, 2006

Sol encoberto (e eclipsado pela Lily)

Percorri hoje de manhã metade do bairro de Telheiras à procura do Sol. Fui ao Carrefour e a uma ou outra loja de conveniência e... népias. Esgotado. Já em desespero de causa lá acabei por encontrá-lo numa papelaria numa das ruas interiores do bairro. Era o último exemplar e a senhora que se me seguia e que vinha ao mesmo ficou de mãos a abanar.
Acho que não perdeu grande coisa. O Sol aparenta ser um meio-termo entre um O Independente menos acutilante e um Correio da Manhã para gente bem instruída. Os textos são pequenos e de fácil digestão. Os destaques são quase todos nacionais, com um alvo óbvio nos meandros dos partidos e actores políticos. Sobre o resto do mundo, há muito pouco para ler. O grafismo não aquece nem arrefece. O logotipo tem qualquer coisa de "agência de viagens com as melhores promoções de Verão", mas não fere a vista e, apesar das semelhanças, até aparenta frescura ao romper com o formato tipografico das outras publicações. O Sol parece ter mais quadros e gráficos do que o jornal normal, para que o leitor não tenha que cansar muito a vista a ler o - já de si curto - texto.
Sensívelmente a meio da sua quase centena de páginas, o jornal muda o estilo e aproxima-se do segmento Correio da Manhã-24 Horas-Tal & Qual: muitos fait-divers, muitas generalidades, muitos acontecimentos mundanos que se esgotam nisso mesmo. Crítica de cinema e música... mais valia não estarem de tão reduzido é o seu espaço. E o suplemento-revista Tabu alinha pelo mesmo diapasão populista, alternando histórias de bebés trocados com uma entrevista de dez páginas a Guta Moura Guedes. Ah, e a Margarida Rebelo Pinto aparece mais do que uma vez na edição, ameaçando falar-nos de sexo. E Maria Filomena Mónica dá o mote logo na segunda página com uma entrevista um bocado pimba em que discorre sobre o físico de Sócrates e a possibilidade de Mário Soares ter tido muitas mulheres. Socorro! Pior que tudo, só mesmo a quantidade de noticias sobre... o Sol. Ele é manifesto na capa, ele é notícia sobre a génese do jornal, ele é antevisão dos próximos números, ele é a reacção da imprensa Espanhola ao novo semanário Português, ele é entrevista aos três accionistas do Sol no suplemento Tabu. Não há como justicar este tom auto-celebratório a não ser pelo muito badalado ego do seu director.
Enfim, porque me interessa a novidade e o Sol é, apesar de tudo, um jornal novo, talvez venha a comprar os próximos números. E, independentemente de tudo isto, talvez venha a ser um sucesso. Mas, para já, onde o sol tem brilhado mais nestes últimos dias é mesmo naquela canção da Lily Allen que tem um refrão bem catita: "Sun is in the sky oh why oh why ? Would I wanna be anywhere else". E a estrela mais famosa do universo lá se redimiu por hoje.

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