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Em busca de alcachofras. A blog by Pedro Nunes

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I was having a tuna sandwich when something went wrong and all of a sudden I was sucked into space. I found myself in the distant galaxy of Valpolicela (no relation) and am using this device to send signals to my earthbound comrades. Because I am confused I often pretend to be Spiff the intergalactic explorer extraordinaire. When I am bored I collect artichokes, therefore the name of this blog.

Friday, August 03, 2007

Repensando os objectos III: o novo filme do Tarantino

Fui ver o "À Prova de Morte" com a habitual divisão de opiniões da crítica àcerca dos filmes do Tarantino na cabeça. No Expresso polarizaram-se mais do que nunca as opiniões entre o vazio da forma face à ausência de conteúdo e o génio formal enquanto substância do cinema.
Vi o filme e decidi que essa discussão pouco importa para mim. Desde "Pulp Fiction" que Tarantino é acima de tudo um cineasta da forma e do estilo, aquele que melhor traduz uma ideia de pós-modernidade no cinema. Um cineasta que resgata géneros cinematográficos da sucata e os transforma em objectos fílmicos credíveis e admiráveis. Tudo porque a inteligência e a criatividade são categorias mais absolutas do que essa história de forma vs. substância.
Posto isto, "À Prova de Morte" é o filme que menos me entusiasmou de Quentin Tarantino. Porque apesar de ter a marca da mestria de Tarantino em gerir os ritmos da narrativa e criar aquela tensão que resulta numa violência meio irrisória mas sempre catártica, é um filme que nada acrescenta àquilo que já sabemos do seu cinema. É o primeiro filme de Tarantino que sabe apenas e tão só a "mais um filme de Tarantino" apesar de ser um óptimo objecto de entretenimento.
Ao ver o filme também me lembrei da memorável distinção feita por Jeremy Irons há uns anos atrás, aquando de uma passagem por Portugal, entre cinema Americano e Europeu. Disse Irons que o cinema Americano era como uma boa prostituta que nos satisfazia as necessidades mas à qual não sentíamos vontade de regressar, por oposição ao cinema Europeu que era como uma boa mulher que não nos tendo deixado satisfeitos da primeira vez, nos deixava com vontade de a ela regressar. Os filmes de Tarantino cabem cada vez mais na imagem do cinema Americano que Irons muito sabiamente nos traça.

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