Hey Jack Kerouac

Na avenida Columbus, na zona de North Beach, fica a "house that Jack Kerouac built" - ou será a "house that killed Jack Kerouac"? É o bar Vesuvio, onde os poetas beat que fizeram história passavam bastante tempo nos seus anos de glória. Jack Kerouac seria o "honorary customer". O bar está decorado com fotos e memorabilia alusiva à geração que abriu as portas da percepção à cultura alternativa dos anos 60. Ao lado fica a livraria City Lights, propriedade de Lawrence Ferlinghetti, que tem uma extensa secção dedicada aos "beatnicks". Foi esta livraria e a editora que lhe está associada - fundada por Ferlighetti em 1953 - que esteve no centro do julgamento de Ferlinghetti pela publicação de "Howl" de Allen Ginsberg em 1956. É hoje conhecida mundialmente pelo seu historial alternativo e progressista. Entre o bar e a livraria existe uma inscrição em dourado com o nome Jack Kerouac e outra em caracteres Chineses na calçada de pedra.

Como muitos jovens de 18 anos a tentarem despertar para a vida, li o "On the Road" e o "The Dharma Bums" (este último marcou-me mais por ter sido o primeiro que li), e sonhei com viagens intermináveis e sem destino. É algo que fica. Mas no que toca a andar à boleia, a coisa não foi mais longe do que uma viagem entre Coimbra e a Praia da Areia Branca num certo dia de Agosto em finais de 80. E as experiências com erva foram um desastre. Foi nisto que pensei enquanto pegava nos outros dois livros "essenciais" de Kerouac, "Big Sur" e "Subterraneans". Levo, não levo, decidi que aquela literatura já não me pertence, foi antes um momento importante na minha formação pessoal.

A empregada do Vesuvio era muito simpática mas pensava que Portugal era no Brasil e vacilou quando lhe disse que a nossa moeda era o Euro...



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