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Em busca de alcachofras. A blog by Pedro Nunes

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I was having a tuna sandwich when something went wrong and all of a sudden I was sucked into space. I found myself in the distant galaxy of Valpolicela (no relation) and am using this device to send signals to my earthbound comrades. Because I am confused I often pretend to be Spiff the intergalactic explorer extraordinaire. When I am bored I collect artichokes, therefore the name of this blog.

Thursday, December 28, 2006

O meu 2006 em sons

Chegados ao fim de 2006 e lá se entra na azáfama das listas de melhores álbuns/concertos/filmes, etc. Para mim, torna-se difícil elaborar estas listas. Cada vez mais faço o balanço com recurso às canções, bandas e momentos que me marcaram ao longo do ano. Álbuns, não. São compridos e chatos e nem é preciso ter iPod para nos determos no fundamental: uma, duas, no máximo cinco ou seis canções que ficam na memória. Com honrosas excepções: este ano o único disco que me encheu as medidas foi "Return to Cookie Mountain" dos TV on the Radio. Grandes canções em tom de psicose urbana, abençoadas pelo padrinho David Bowie - que mete uma perninha em "Province". Os TV on the Radio soam mais contemporãneos do que qualquer outra banda rock ao incorporarem influências de hip-hop e de gospel numa música feita de guitarras e experimentação electrónica que remete muito para o pós-punk - e com alguma influência dos Radiohead ali pelo meio, claro.
Mas houve muitas outras músicas que me marcaram. Em meados de Fevereiro, andava eu pelas ruas de Copenhaga com o corpo a dar-me sinais estranhos e as abençoadas canções dos The National na cabeça, a aquecerem-me a alma. O álbum deles, "Alligator" (de 2005) começou por me soar algo anémico mas foi-me conquistando aos poucos. Se tivesse que escolher uma canção de que gostei incondicionalmente ao longo de 2006 seria "All the Wine": tem uma letra hiperbólica com tiradas do tipo "I'm a birthday candle in a circle of black girls" cantadas num tom conversacional por um tipo com voz de barítono, sobre guitarras em filigrana miraculosamente bem arranjadas. Primeiro insinua-se mas com algumas audições em cima um gajo atira-se para o chão. E assim fui rei em Copenhaga (bela cidade).
Quando regressei a Portugal em Março ao fim de seis anos na fria mas sempre acolhedora Escócia, encontrei os melhores espíritos da minha geração com mais cabelos brancos - e os piores com algum Botox. Consolei-me com os Clap Your Hands Say Yeah, a Cat Power, a Neko Case e, acima destes todos, com a estupenda Judee Sill e o seu álbum "Heart Food" - a minha grande descoberta em 2006 é de... 1973. Subi aos céus com "The Kiss" , uma canção que é quase como uma revelação divina. Mais tarde e quando os Triffids foram remasterizados e finalmente se resgatou do quase anonimato o génio de David McComb, um outro génio da pop Australiana faleceu inesperadamente: Grant McLennan. Tinha 48 anos e era uma das metades dos eternos Go-Betweens. `
De férias em Barcelona, por entre tapas e o fascinante pão Catalão, fui ao festival Primaverasound que anualmente faz passar pelos seus palcos, ao longo de cinco dias e até altas horas da madrugada, o melhor do rock alternativo. Oportunidade para ver as Sleater-Kinney, ignorando ser uma das suas últimas actuações ao vivo - as moçoilas anunciaram suspensão das actividades por tempo indefinido. No palco mais pequeno, uma catrefada de Suecos (29) com pinta de geeks intrigava-me e punha a multidão em delírio com canções sobre sarampo e dormir até tarde. Se descontar o tamanho da banda, diria que com os I'm From Barcelona estamos perante uma pop made in Ikea: ideias simples mas funcionais. É assim com o álbum deles: canções pop de três minutos em que a parte instrumental repete a melodia da voz e esta é cantada em coro pela trupe toda. Sem pontes nem solos nem grandes adereços. Tiro certeiro.
Algures pela mesma altura, tive oportunidade de assistir à melhor banda Portuguesa dos últimos anos (não há discussão) ao vivo no CCB... Os Gaiteiros de Lisboa são uma abençoada anomalia num campo artístico que prima pelo conformismo e pela cópia Xerox do que vem lá de fora. São geniais e foram grandes naquela noite (infelizmente ainda não chegaram ao YouTube...).
Mais para o fim do ano, houve as surpresas Grizzly Bear (neo-folk impressionista que primeiro se estranha e depois se entranha como uma tarde de ressaca), Camera Obscura (canções pop cativantes, no fio da navalha entre a citação dos anos 60 e a eterna adolescência dos Belle & Sebastian) e o recuperar dos Wire, através da colectânea "On Returning (1977-1979)" - quando o punk passou a ter cérebro e não apenas nervo... Os Guillemots prometeram muito com esta refrescante canção pop, mas espalharam-se ao comprido no longa-duração - iPod com eles! E os Yo La Tengo voltaram a deslumbrar... ao vivo na Aula Magna. Corações ao alto.
Em suma... apesar da decadência do formato álbum, o ano até que foi fértil em experiências musicais. Teria sido quase perfeito, não fosse alguém se ter lembrado de resgatar o José Cid do estado de hibernação em que tão bem estava. E o James Blunt ter continuado a passar na rádio e com isso ter espalhado a gripe das aves por meios "yet untracked".
Até para o ano!

P.S. Como é possível omitir neste balanço de 2006 a revelação Why? no festival Primaverasound? Para mim, o melhor momento do festival a par das Sleater-Kinney. E assim fica corrigida a omissão.

6 Comments:

Blogger Nuno said...

disto tudo...

- TV on the Radio não me chegou a cativar. pode ser que em 2007 tenham nova oportunidade...
- The National são mesmo anémicos.
- Clap Your Hands Say Yeah são refrescantes.
- Cat Power é linda e tem uma grande voz, mas falta-lhe qq coisa...
- Neko Case e Judee Sill não me dizem nada.
- Triffids são engraçaditos, mas não merecem o epíteto de génios.
- Sleater-Kinney é pena, mas acabam na altura certa do r'n'r, ou seja, quando estão em alta.
- I'm From Barcelona têm a sua piada, mas dentro do género ainda gosto mais dos Polyphonic Spree.
- Gaiteiros são gigantes. A propósito, onde está o SG?
- Grizzly Bear, Camera Obscura e Wire não cheguei a ouvir.
- Guillemots, concordo, prometem mais do que cumprem.
- Yo La Tengo são (muito) grandes.

11:54 PM  
Blogger Nuno said...

gostei de ler, mas claro que o teu balanço, para ser mais sério, precisava de referências (positivas, claro está) a outros nomes, como:

Divine Comedy, Grandaddy, Thom Yorke, Flaming Lips, Trail of Dead, Beck, Pet Shop Boys, Charlotte Gainsbourg, Calexico, Strokes, Jarvis Cocker, Stuart Staples, Sérgio Godinho, Marisa Monte ou JP Simões.

Houve também excelentes bandas sonoras, com identidade própria, como Brokeback Mountain, The Squid and the whale, Broken Flowers, Thumbsucker ou Little Miss Sunshine.

Por falar nisso, cadê o balanço cinematográfico? Nobody Knows, History of Violence, Brokeback Mountain, Marie Antoinette, Match Point, Volver, The squid and the whale ou Munich são alguns dos grandes filmes de 2006.

12:00 AM  
Blogger Nunes said...

É possível que me tenham escapado alguns dos nomes que referes mas não posso ouvir tudo... Algumas convicções: Divine Comedy já não é que era e, de resto, ninguém os incluíu na lista do ano (menos tu, fã incondicional quase até à cegueira lol!). Flaming Lips são uma caricatura da banda que fez "Soft Bulletin". Trail of Dead, também. Calexico achei fraquinho. O disco de Beck não chega a entusiasmar embora esteja acima da média. o mesmo para SG apesar de duas canções brilhantes (Deusa do Amor e Big One da verdade). O resto ou não ouvi com a devida atenção ou, simplesmente, não ouvi

7:29 PM  
Blogger Nunes said...

Em relação às OST talvez incluísse uma: a de "Me and you and everyone we know".

Em relação a filmes, receio ter visto pouco e do que vi não houve nenhum filme que me enchesse as medidas. Mas gostei bastante do "Volver" e do "Match Point"; gostei sumamente do "Maria Antonieta", do "Boa Noite e Boa Sorte" e do "Brokeback Mountain"; vi com interesse (in)formativo o "Uma verdade inconveniente", ri-me como há muito não me ria com o "Borat" e revi um filme que me entusiasmou quando o vi pela primeira vez há mais de dez anos mas que agora me parece um pouco datado: o "Profissão: Repórter".
Decepção para mim foi o "O Novo Mundo".

7:43 PM  
Anonymous Anonymous said...

Eu nestas coisas funciono ao retardador. Certamente ainda não ouvi/vi todos os discos que podem virtualmente fazer a minha lista. Mas, para já e resumindo, o melhor filme que vi foi Match Point e o melhor album o dos TV ON THE RADIO. Menção honrosa para o objecto estranho da Joanna Newson – primeiro estranha-se e depois entranha-se. A canção Sawdust & Diamonds foi o momento musical do ano (a acompanhar com letra p.f.).

11:35 AM  
Blogger Nunes said...

O disco da Joanna tem o mérito de não deixar ninguém indiferente. Eu achei intragável mas admito que algo ali me esteja a escapar.

10:47 PM  

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